Bons pais, bons pastores: a disciplina desejada

Professor José Augusto Abreu Aguiar

 Nas relações pais e filhos – relação familiar – a disciplina deve ser entendida como uma conquista que acontece a partir das forças interiores das mesmas. A disciplina não representa imposição, autoritarismo, muito menos algo que seja imposto de fora para dentro. Ela é vivida como uma convicção, como algo que nasce e se consolida a partir da opção dos sujeitos que compõem a família. Sendo assim, toda e qualquer ação que esteja voltada para uma possível “correção” dos filhos não pode basear-se em punições e castigos simplesmente.

Existem orientações precisas, nascidas de experiências vividas, sobre a não conveniência da adoção de meios coercitivos sobre os filhos. Devemos, enquanto pais e/ou responsáveis, adotar outros meios para se estabelecer limites, consequentemente a disciplina. Meios que estejam impregnados pela persuasão e pela caridade. Porém, se o castigo for uma necessidade imperativa, esgotados todos os meios necessários para estabelecer limites, disciplina, que ele seja utilizado dentro de uma ótica da prudência, sem que os outros membros do grupo presenciem e não traduza uma ação fruto de uma irracionalidade qualquer.

As ações disciplinares devem acontecer após a conquista do coração e da confiança dos filhos. Conquistar o coração e a confiança dos filhos não é coisa fácil, deve ser fruto da arte do encontro, da capacidade dos pais para construir relações interpessoais sustentadas na abertura para o outro e em um clima de grande alegria. Ao ganhar o coração e a confiança dos filhos, os pais estarão no meio deles como o Bom Pastor, dispostos a encontrarem um ponto sensível ao bem, dispostos a estarem sempre presentes e vigilantes. Esta postura evidencia que, na relação pais e filhos, os últimos precisam sentir que são amados, são queridos e que para eles existe um programa educativo, transparente e identificável, baseado em um itinerário que, além de apresentar elementos de formação humano-profissional, preocupa-se radicalmente com a santidade, com a vida cristã.

A parte racional do referido programa é sustentada por atitudes construtivas e pacientes de diálogo e persuasão, para que as múltiplas formas de sujeição, de coerção, de pressão e chantagem emocional, sejam evitadas. Sendo assim, é possível criar um espaço-ambiente carregado de espontaneidade, onde as normas inflexíveis de uma educação repressiva sejam minimizadas para que os filhos possam manifestar-se com naturalidade, com alegria.

Essa forma de atuar tem um objetivo bem claro: a educação integral dos filhos. Educação sustentada por uma formação em valores e atitudes. Formação trabalhada através de um modelo educativo onde o meio empregado para alcançá-la não seja a repressão.

Na educação integral, em todas as suas ações, a relação pais e filhos representa uma obra de convivência voltada para a criação de uma comunidade que viva o clima de familiaridade, de pertença e participação na conquista de novos horizontes para todos. Este clima é favorecedor do aperfeiçoamento constante dos pais, da capacitação dos mesmos para uma educação fundada no amor e distante da repressão, dos castigos. A referida capacitação fará os pais perceberem que a arte do encontro, muito mais do que momentos acontecidos sem intencionalidades, é um instrumento poderoso para a consolidação de um dos mais importantes pilares da verdadeira educação: a assistência-presença, a postura do BOM PASTOR.

Voltarei ao assunto.

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