Superando a solidão contemporânea

Professor José Augusto Abreu Aguiar

Os homens e as mulheres não estão no mundo para viverem isolados, solitários. Superar a solidão é fundamental para a nossa realização como pessoa, para a nossa personalização. E a solidão só poderá ser superada quando somos capazes de criar e fortalecer relações com o outro: sendo com ele, para ele e diante dele.

Somos com o outro quando saímos de nós mesmos, quando abrimos nossos corações e mentes e respondemos ao chamado que está presente no rosto de uma pessoa concreta, de uma pessoa que sonha, tem projetos, sofre, tem esperança, enfim, uma pessoa que é e faz história. Sendo assim, precisamos saber que é importante que estejamos sempre conscientes de que somos seres sociais e precisamos nos envolver com o outro, precisamos ter a capacidade de produzir, ainda que imperfeitamente, relações sustentadas pela sensibilidade, solidariedade, acessibilidade, diálogo e respeito mútuo.

Se não somos com o outro, se cultivamos o isolamento, o nosso processo de personalização é interrompido. Deixamos de crescer como pessoa, vivemos a solidão, e não saboreamos a experiência do amor, do companheirismo e da camaradagem. Experiência que representa o amor recebido do outro e o amor oferecido a ele. Só tal experiência é capaz de estabelecer e dar sentido à nossa existência.

Somos para o outro quando vivemos a serviço, quando o nosso caminho de realização não acontece isoladamente, possuindo sustentação em atitudes e atos que viabilizem as condições necessárias para a participação de todos na construção da autêntica vida comunitária. O ser para o outro exige que evitemos determinadas atitudes e atos que desconheçam e desrespeitem a pessoa em seus direitos fundamentais. Sem sombras de dúvidas, a partir do exposto, é possível afirmar que somos sujeitos a partir do outro. Logo, nenhum de nós é sujeito na solidão e no isolamento, sempre se é sujeito entre outros sujeitos: “o sentido da vida humana não é um monólogo, mas provém do intercâmbio de sentidos, da polifonia cor”.

Somos diante do outro ao assumirmos a diversidade das pessoas como uma riqueza, isto é, quando descobrimos que todos são singulares. Logo, ser diante do outro é aceitar a pluralidade do ponto de vista divergente, em todas as circunstâncias da vida, levando em consideração a originalidade de cada um no enriquecimento das relações humanas. O situar-se diante do outro deve traduzir sempre uma atitude geradora de responsabilidades para com as pessoas, objetivando o estabelecimento de relações sadias saudáveis e terapêuticas, ou seja, relações que vivam a tônica da saúde, transmitam saúde e regenerem a saúde. Relações que estejam voltadas para o equilíbrio e a realização pessoal e comunitária. O situar-se diante do outro representa também a aceitação que não reduz a pessoa à categoria de objeto, muito menos a ignora ou instrumentaliza-a.

Para que possamos ser com o outro, ser para o outro e ser diante do outro, superando a solidão e nos realizando como pessoa, é preciso que tenhamos coragem de assumir uma visão dinâmica do mundo.

Assumir a visão dinâmica do mundo, a visão histórica, aquela que capacita a pessoa para o planejamento, a intervenção e a modificação dos fenômenos naturais e sociais, é tornar-se sujeito construtor de si mesmo e das relações. É abandonar a posição de marionete que condena a todos ao absurdo e ao nada, definindo um destino repleto de incertezas e não realização.

Sendo assim, o que estamos esperando?

 

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