UM CASAL DO BEM

 Professor José Augusto Abreu Aguiar

Lendo o Facebook quinta-feira, dia 21 de abril de 2016, feriado de Tiradentes, encontrei uma postagem de Camila Osório fazendo menção a um texto que escrevi sobre seus pais. De imediato, sem nenhuma dúvida, decidi publicá-lo, ainda que não integralmente, para mais uma vez prestar uma homenagem a um casal do bem: Ronaldo Osório e Laís.

Quem foi Ronaldo? Quem foi Laís? Que o digam todos aqueles que beberam da bondade, da disponibilidade, do caráter, da solidariedade e da amizade de ambos. Que digamos todos nós que tivemos a oportunidade de receber deles diferentes lições de vida.

Ronaldo e Laís, como que no título da música de Padre Zezinho, “Amar como Jesus Amou”, foram pródigos em atitudes e atos que traduziam um compromisso inalienável com o irmão, com o outro, muitas vezes abrindo mão do que possuíam para dar àqueles que nada possuíam.

Inúmeras vezes as palavras do casal foram bênçãos para muitas pessoas, representando acolhida e, sobretudo, apoio em uma hora de extrema necessidade. Muitas pessoas tiveram “seus olhares levantados”, deixaram de olhar para o chão, foram resgatadas de um estado de desesperança e conduzidas para a experiência da felicidade.

A mansidão foi outra qualidade do casal. Através da oração em Família foram lapidados para viverem relações sustentadas pela amabilidade, pela calma, pelo bem querer. Muitos de nós somos testemunhas inequívocas de tal mansidão, de como eles possuíam um gênio brando, suave e pacífico, de temperamento fácil, em que a meiguice, a tranquilidade, a brandura, a falta de agitação, de pressa e de inquietação foram elementos essenciais. Com a mansidão, Ronaldo e Laís passaram a ter uma nova visão da vida. Visão marcada pela não-violência, pelo respeito às outras pessoas, pela não-agressividade.

Outra faceta importante do casal foi a capacidade de perdoar e de reconciliar demonstrada por eles. O ato de perdoar e de reconciliar, para eles. era uma virtude cultivada sempre, um ato do coração que os permitia experimentar o amor que libera da dor, do ressentimento, da mágoa que carregamos como um fardo e que fere a nós mesmos e aos outros. Tal capacidade é própria daqueles que possuem sabedoria, força interior, e um compromisso significativo com a oração, a contemplação e a meditação. Enquanto estiveram vivos, Ronaldo e Laís formaram uma família cristã, isto é, uma família consciente da missão a ela confiada por Deus Pai. Além de bom pai e de boa mãe, de exemplo de família para os filhos e filhas, Ronaldo e Laís foram fundamentais no trabalho da Pastoral da Família no âmbito da Diocese de Nova Friburgo.

A tarefa dos dois, durante o tempo que militaram na Pastoral Familiar, foi a de propor uma nova significação para a família frente aos desafios da vida contemporânea, afirmando-a como o principal recurso para o desenvolvimento das pessoas e da sociedade, tendo o Plano de Deus como a grande referência.

Hoje, em um momento de grande saudade, devemos continuar defendendo a tríplice bandeira empunhada por eles. “a dignidade da pessoa humana, o sacramento do matrimônio e a inviolabilidade da vida e da família”. Devemos desfraldá-las como reconhecimento de tudo que fizeram em prol das pessoas, das famílias e do Reino de Deus. Devemos desfraldá-las como um aceno que deve ser visto, por eles, nos salões da eternidade.

 

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